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Parecer sobre a Prova de Exame Nacional da disciplina de Geografia A – 1ª Fase

A prova de Geografia A realizada no passado dia 21 de julho de 2018, tem conteúdos relacionados com o estudo de Geografia de Portugal, conforme programa homologado pelo Ministério da Educação, pelo que merecem a nossa apreciação positiva.

Para a elaboração deste documento contámos com a colaboração e olhar atento dos professores de Geografia, classificadores e associados que nos fazem chegar as respetivas apreciações.

A prova, embora globalmente acessível, apresenta alguns itens de seleção (escolha múltipla) e construção (resposta aberta), que exigem elevada concentração na interpretação do enunciado e das respetivas opções de resposta, no caso particular dos itens da primeira tipologia, e de um uso proficiente da língua portuguesa (o que merece a nossa concordância). Considera-se, ainda, que a prova não coloca problemas de correção científica, é representativa dos conteúdos constantes dos documentos orientadores da disciplina. Por sua vez,  os critérios de classificação colocam alguns problemas  de interpretação aos professores classificadores, como mais adiante se especificará.

Informação prova

O documento  Informação prova divulgado era vago e omisso nalguns aspetos inerentes à Caracterização da Prova – observa-se, a este prepósito, a ausência de uma referência em relação à estrutura da prova, à inclusão de novas tipologias de itens e à cotação (pontos) respetiva a atribuir. Com efeito, considera-se que esta deveria ter alertados os intervenientes para eventuais alterações face às edições anteriores e/ou que tivesse havido divulgação de uma segunda Informação prova alertando, para as mudanças registadas em relação à estrutura, à tipologia e ao valor dos itens (quer de seleção quer de construção).

O facto de ser um exame Nacional, não pode e não deve inibir a tutela de enunciar as alterações formais nas provas. Os exames devem ser inéditos na formulação de itens de exploração dos conteúdos programáticos, mas não no que diz respeito à estrutura de distribuição dos itens e ao peso (cotação) associado a cada tipologia.

Itens

A redação dos itens da prova apresenta um grau de dificuldade mais acessível do que nas provas do ano letivo anterior, pela linguagem técnica/vocabulário adequada e de fácil entendimento para a generalidade dos alunos.

A seleção dos temas é equilibrada entre o 10º e 11º anos, integra uma amostra significativa do Programa, pois quer a escolha de alguns dos conteúdos específicos a testar quer a formulação de vários itens, constituem uma amostra significativa de objetivos e temas do mesmo, abrangendo não só Portugal continental como também Regiões Autónomas. Considera-se assim que os conteúdos abordados, revestidos de atualidade e pertinência e que carecem de reflexão pela sociedade em geral (incêndios florestais, gentrificação, plataformas digitais, entre outros), foram repartidos de forma similar entre os dois anos de escolaridade.

Congratula-se a existência de itens que implicam a mobilização de competências nas áreas do raciocínio e do pensamento crítico, em detrimento de itens que sobrevalorizem a memorização, a par da articulação efetuada entre conteúdos dos diferentes temas dentro dos grupos de itens, pois a Geografia é uma ciência de interrelação, multiescalar e não focada em conteúdos estanques e, ainda, o estímulo a práticas pedagógicas centradas na resolução de problemas.

Saúda-se a inclusão, através de exemplos, do estudo de caso, que faz parte do Programa de Geografia A. Contudo, é de registar que os dois itens que implicavam uma resposta relativamente extensa (7. e 14.) encontram-se centrados na perspetiva da figura do autarca. Considera-se uma redundância a insistência nessa perspetiva, quando haveria outras possíveis, como por exemplo, a  de um técnico de planeamento, de um geógrafo, entre outros.

Peças gráficas e cartográficas

As peças gráficas e cartográficas introdutórias são, na generalidade, diversificadas e de boa qualidade gráfica, assentam em fontes documentais credíveis propiciando a aplicação das destrezas gráficas e cartográficas exigíveis a alunos de Geografia do 11º ano de escolaridade.

Tempo disponível para a realização da prova

O tempo disponível para a sua resolução é suficiente, pese embora uma divulgação prévia da alteração de estrutura da prova pudesse, eventualmente, ser favorável a alunos que apresentam dificuldades em termos de gestão de tempo.

 

Critérios de Classificação (CC)

O documento Critérios de Classificação  carece de mais cuidado em futuras edições desta prova e merecem o nosso desacordo em alguns aspetos:

Cotação/Valoração

  1. Na página 2 pode ler-se “Nos itens de resposta curta,  são atribuídas pontuações às respostas total ou parcialmente corretas, de acordo com os critérios específicos.” (1ª Fase). Considera-se que a redação desta orientação gerou a expetativa nos professores classificadores e examinados de que nos itens de resposta curta também havia níveis de desempenho e, consequentemente, respetiva valoração de respostas parcialmente corretas e/ou incompletas, quando, segundo os CC, apenas foi atribuída a cotação de 6 pontos e não estão contemplados os parcialmente corretos.
  2. Em futuras edições desta prova de exame, recomenda-se que seja clarificado à priori o que se entende por resposta curta e restrita bem como a cotação a atribuir em função do tipo de resposta que é suposto o aluno produzir. Em alternativa, pode ser registado,  por exemplo, quando nos itens de resposta curta e restrita são exigidos dois ou mais elementos/aspetos, estejam contemplados níveis desempenho e atribuída valoração respetiva.

Estas sugestões teriam evitado todo o ruído que ocorreu em torno da sugestão de atribuição de uma classificação intermédia, na correção dos itens 6., 8.1 e 15.1.

Critérios específicos de e correção

Em relação aos critérios específicos de correção apresentados, reforça-se que os dois itens de resposta extensa (7. e 14.) estão centradas na perspetiva de um indivíduo/entidade em particular, sendo questionável a obrigação do aluno saber as competências/atribuições do autarca. De igual modo, alguns dos tópicos de resposta contemplados são de grau de abrangência e/ou de ambiguidade muito diversa ou, inclusivamente, não integram competência das autarquias, como, por exemplo, no item 7. a “exploração de rochas ornamentais” e a “criação de serviços de carsharing”  opções estas resultantes  de iniciativas privadas e individuais e não das autarquias.

 

O processo de supervisão

De acordo com as informações e contributos que nos foram encaminhados o atual processo de supervisão, correção e classificação das provas de exame, carece de alguma reflexão, pelo facto de:

–          Todos os professores corretores/classificadores poderem opinar sobre as dúvidas dos seus pares, o que introduz imenso ruído e constitui perda de tempo;

–          O acesso e a visualização de dúvidas que outros corretores já colocaram é ineficiente e morosa, o que contribuirá para que alguns corretores/classificadores coloquem dúvidas que já foram apresentadas por outros;

–          Os esclarecimentos do IAVE não terem coberto todas as dúvidas levantadas e os supervisores, ficando, portanto, os corretores/classificadores sem saber se essa opinião tem ou não carácter vinculativo.

 

A disciplina de Geografia A é a quinta no ranking de número de alunos (23474) que  efetuaram a prova de exame nacional, a seguir ao Português, a Matemática A, a Física e Química A e a Biologia e Geologia. Congratula-se todos os intervenientes pelos resultados obtidos, com uma média de 11,6 valores e moda de 11 valores e, ainda, pela diminuição da taxa de reprovação para os alunos internos.

A prova correspondeu assim, em nosso entender, às expectativas da maioria dos alunos -e dos respetivos professores- que se envolveram, ao longo do ano letivo, nas situações de ensino e de aprendizagem da Geografia proporcionadas pelo programa.

 

É de salientar, ainda, que se torna fundamental rever a listagem de noções básicas/conceitos existente no programa de Geografia A, que, em nosso entender, além de excessiva, está desatualizada, no que se refere às políticas europeias, nomeadamente as medidas relativas aos diferentes programas operacionais que se foram sucedendo desde que programa de Geografia A foi homologado.

Lisboa, 18 de julho de 2018

A Presidente da Direção

(Emília Sande Lemos)

Relatório Prova de Aferição HGP – IAVE

HGP_RelatorioIAVE_PA_2016-2017

Após uma breve leitura dos resultados da prova de Aferição e de HGP existem dois aspetos ligados ao ensino-aprendizagem da Geografia que sobressaem e nos devem preocupar:

A. É fundamental distinguir localização e localizar. Em Geografia localização é um conceito  (que até pode ser memorizado, como é caso de Portugal no contexto da Europa se situar no extremo sudoeste) e localizar é procedimento metodológico (que implica saber determinar a posição relativa ou exata de um país ou outro elemento num determinado espaço, usando um sistema de coordenadas ou a rosa-dos-ventos). Acredito que a grande maioria dos alunos sabe onde está Portugal num mapa da Europa (talvez até desde o pré-escolar) mas tem dificuldade em localizar Portugal, num mapa, em relação a outro país pois nem sempre a mobilização deste procedimento metodológico (aplicado com outros contextos espaciais, mais próximos da realidade do aluno e adaptados à sua idade, como a posição dos alunos dentro de uma sala de aula ou os vários espaços da escola/casa), é treinado com os alunos antes do 7º ano de escolaridade.

B. É necessário um maior investimento nos conteúdos e metodologias relacionados com a lateralidade e a espacialidade (1º Ciclo);

C. É imprescindível desenvolver competências de interpretação de mapas com a distribuição de fenómenos geográficos (mas também históricos,…) (2º Ciclo).

Trabalhar com mapas é essencial. E atualmente é muito fácil disponibilizar mapas de localização. Bom seria também que em cada sala de aula estivesse um computador e um projector para que, a qualquer momento, e sempre que é preciso, localizar um acontecimento histórico ou um fenómeno geográfico o professor ilustrasse com o Google Earth ou o Open Street Map, por exemplo ….Também pedir aos alunos para pintar mapas é um excelente exercício…e trabalho colaborativo entre os professores de Geografia e os professores de História nesta disciplina de História e Geografia de Portugal.

A propósito da implementação do projeto da Flexibilização Curricular

Face a dúvidas que nos têm sido colocadas nas escolas que estão na Flexibilização Curricular sobre a carga horária da Geografia a Associação de Professores de Geografia esclarece a sua posição.

O professor de Geografia tem de ter no seu horário, quer as horas em que leciona a disciplina isoladamente quer em flexibilização, através de projeto, com outras disciplinas, devendo escolher as competências (conceitos e metodologias) mais adequadas ao trabalho disciplinar e as que se podem desenvolver melhor em contexto de projeto.

Parte dessas horas pode ser depois lecionada em projeto e em conjunto com outras disciplinas, no caso da flexibilização curricular.

A flexibilização curricular nunca deve implicar, em nosso entender, flexibilização do horário letivo do professor mas sim flexibilização na forma como as competências enunciadas nas aprendizagens essenciais são desenvolvidas. Implica também que o professor de Geografia esteja envolvido no(s) projetos que a escola decidiu que iriam preencher os 25% e que devem ser sempre multidisciplinares.

Mais uma vez reafirmamos:  A flexibilização curricular, em nosso entender, não é para tirar horas a umas disciplinas e dar a outras, ao arbítrio de cada escola.

A Direção

Posição conjunta relativa ao despacho 5908/2017, das Associações de Professores de Geografia e de História

Após a publicação do despacho nº 5908/2017, ambas as associações elaboraram uma carta conjunta dirigida ao Sr. Secretário de Estado da Educação João Miguel Marques da Costa, expondo algumas dúvidas e reflexões. Na sequência desta fomos recebidos pelo Sr. Secretário de Estado.

Nessa carta começávamos por saudar a promoção da autonomia necessária para que as escolas possam vir a enquadrar as aprendizagens numa perspetiva multidimensional, de forma a preparar os jovens para os desafios que se lhes colocam, tal como vem enunciado no Perfil do Aluno para o Século XXI.

Abraçámos este projeto visto termos considerado que o mesmo fazia todo o sentido numa escola que se pretende inclusiva, criativa e adaptada às novas realidades sociais, económicas e culturais. Colocámos todo o nosso empenho na elaboração das aprendizagens essenciais (AE), exortámos os nossos associados a participarem no processo, tendo tido em linha de conta as suas contribuições. Posteriormente, as AE foram sendo reelaboradas e revistas num processo interativo com a DGE. Concordámos, desde o início, com a sua elaboração, visto que considerávamos que os documentos curriculares existentes se encontravam ultrapassados e pouco adaptados à realidade escolar atual.  Assim, concordamos com o disposto no Artigo 2º, alínea c), onde as AE de cada área disciplinar e disciplina constituem as orientações curriculares de base na planificação, realização e avaliação do ensino e da aprendizagem.

Saudamos também o Artigo 5º, muito preciso relativamente à utilidade das matrizes anexas ao despacho. Nessas matrizes pode-se ler claramente que, no 3º ciclo, a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento pertence à área das Ciências Sociais e Humanas, sendo aquela, obrigatoriamente, coordenada/lecionada pelas disciplinas de História e de Geografia. Estas disciplinas são as que se encontram mais bem colocadas para estabelecerem pontes entre as aprendizagens de Cidadania e Desenvolvimento e todas as restantes disciplinas, abrindo-se assim espaço para, ao abrigo da flexibilização curricular, haver momentos em que estejam presentes professores coadjuvantes de outras áreas, privilegiando-se assim o trabalho de projeto na disciplina em causa.

Na reunião acima mencionada, o Sr. Secretário de Estado referiu que esta nova disciplina deveria, de facto, ser prioritariamente lecionada por professores de História ou Geografia. Afirmou ainda que esta disciplina teria, apenas, 25 minutos semanais de lecionação, não retirando assim qualquer tempo letivo à Geografia e à História, mantendo-se na realidade a mesma carga horária semanal disciplina de HGP.

Face ao exposto consideramos que não existe qualquer razão para a diminuição da carga horária semanal e consequentemente dos tempos letivos das disciplinas mencionadas anteriormente. Neste sentido recomendamos:

– 2º Ciclo – 3 tempos letivos cada, para o 5º e 6º Ano;

– 3º ciclo – 6 tempos letivos cada para o 7º Ano, a dividir equitativamente pela Geografia e pela História; 5 tempos letivos cada para o 8º e 5 tempos letivos cada para o 9º Ano, a distribuir também de forma equitativa, pelas duas disciplinas, nos dois anos (3+2 ou 2+3).

Reafirmamos o nosso pleno acordo relativamente às metodologias e possibilidades de desenvolvimento de trabalho interdisciplinar explanados no despacho. As duas associações que representam os professores de História e de Geografia encontram-se, no momento, a trabalhar na elaboração de propostas de projetos interdisciplinares, de acordo com o explanado no artigo 13º. Neste sentido juntamos três propostas de projetos interdisciplinares passiveis de ser aplicados ao longo de toda a escolaridade obrigatória.

Agradecemos a todas os colegas que se encontram em escolas com flexibilização curricular que nos façam chegar a planificação das AE quer ao nível da disciplina quer nos projetos de interdisciplinares.

Atenciosamente,

Os presidentes e vice-presidentes da APG e da APH,

Emília Sande Lemos

Miguel Monteiro de Barros

Ana Cristina Câmara

Marta Frade Torres

 

 

Nota: A APH e a APG pediram entretanto ao Sr. Secretário de Estado, João Miguel Marques da Costa, e na sequência da audiência que nos concedeu dia 17 de julho, onde nos foi confirmado que o tempo máximo semanal estipulado para a lecionação da nova disciplina de Cidadania e Desenvolvimento é de vinte e cinco minutos, que se proceda a uma retificação do despacho 5908/2017, colocando-se aí, de forma explícita, essa informação, de forma a não dar origem a interpretações menos corretas por parte das escolas, nomeadamente retirando tempos de lecionação à disciplina de HGP ou de História.

[1] A principal diferença que se verifica na matriz do Despacho n.º 5908/2017 é a transferência, para o 7º Ano, dos 250 minutos de lecionação anteriormente previstos para o 9º Ano.

QUESTIONÁRIO – NECESSIDADES DE FORMAÇÃO

 

Car@s colegas

Estamos a elaborar o plano de formação do Centro de Formação da Associação de Professores de Geografia – CFPOR, mas antes de o concluirmos, gostarí­amos de conhecer a vossa opinião sobre as necessidades de formação específica na Área da Geografia.
Agradecíamos, por isso que respondesse a um pequeno questionário.

O Centro de formação da APG, disponibiliza ações de formação, autofinanciadas. Algumas das ações são realizadas em parceria com outras entidades. A lista das ações disponí­veis, encontra-se no corpo do questionário.