OLIMPÍADAS DA GEOGRAFIA

As Olimpíadas da Geografia são uma iniciativa da Associação Portuguesa de Geógrafos (APG) e da Associação Portuguesa de Professores de Geografia (APROFGEO) com o patrocínio do Ministério da Educação.
Pretendem contribui para o reconhecimento social da Geografia e promover o seu estudo.
Esta iniciativa visa distinguir os melhores alunos de Geografia no ensino secundário e servirá também para apurar os três representantes nacionais nas Olimpíadas Ibéricas de Geografia.
O encontro tem por objetivos Objetivos:
1) Aumentar o interesse dos alunos portugueses pelo estudo e pesquisa em Geografia;
2) Promover o reconhecimento social da Geografia em Portugal;
3) Promover o “trabalho de campo” no ensino da Geografia;
4) Desenvolver o espírito de rigor e excelência nos alunos;
5) Encontrar os representantes portugueses para a Olimpíada Internacional de Geografia.
A inscrição é realizada até ao dia 30 de novembro de 2018.


Consulte o regulamento e inscreva os seus alunos em https://apgolimpiadas.wixsite.com/geografia/apresentacao

Caro(a) Professor(a) de Geografia

A Associação de Professores de Geografia faz votos de um bom ano letivo e congratula todos os esforços em prole da disciplina de Geografia e, em particular, do ensino da Geografia dentro e fora da sala de aula.

Eis alguns materiais essenciais para o ensino da nossa disciplina


 

Não deixe de consultar o moodle da APROFGEO, nomeadamente, na categoria de Material Didático. http://www.cfpor.pt/moodle30/course/index.php?categoryid=2

Para os não sócios e só até final de Setembro (depois ficará disponível só para sócios) também pode encontrar material diverso sobre as Apredizagens Essenciais http://www.cfpor.pt/moodle30/course/index.php?categoryid=5

 

(Re)afirmar a posição da APG face ao DL 55/2018

Cara(o) Colega,

A Geografia desenvolve-se ao longo da escolaridade obrigatória através da aprendizagem de conceitos, procedimentos e atitudes, no sentido do desenvolvimento de competências que permitam às crianças e aos jovens uma consciência de pertença a um território, a par da promoção de uma cidadania ativa e de uma cultura para o ambiente e desenvolvimento sustentável, para a cooperação e a interculturalidade, que lhes permita intervir criticamente no ordenamento do território e ter um olhar atento no que diz respeito ao bem-estar dos povos e das nações.

Após a publicação do decreto-lei n.º 55/2018, de 6 de julho, reafirmamos a posição da Associação de Professores de Geografia nesta fase de reflexão e organização do próximo ano letivo.

  • As Aprendizagens Essenciais (AE) constituem orientação curricular de base, para efeitos de planificação, realização e avaliação do ensino e da aprendizagem, em cada ano de escolaridade (artigo 17.º).
  • A distribuição da carga horária semanal da disciplina de Geografia não pode ser inferior a 8 tempos (sejam eles de 45 ou 50 minutos) no conjunto dos três anos do 3º ciclo do ensino básico, para dar cumprimento às AE emanadas pela tutela.

As AE da disciplina de Geografia e as competências dos alunos a desenvolver ao longo da escolaridade obrigatória (ver PASEO) só podem ser concretizadas dignamente, de acordo com os princípios da didática específica da disciplina, com o número de tempos necessários para dar cumprimento ao desenvolvimento das competências específicas da disciplina, e limitando o número de turmas a atribuir a cada professor para um desempenho digno da profissão.

  • Reafirmamos a nossa objeção, tal como já fizemos no ano anterior, a que a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento possa ser lecionada por outros docentes fora do Departamento de Ciências Sociais e Humanas, contrariando a matriz definida pelo próprio Ministério da Educação para o 3.º ciclo (Anexo III do referido decreto). No contexto deste decreto, caso tal não aconteça, os minutos da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento devem ser elencados ao crédito de minutos de cada escola e não retirados às Ciências Sociais.

Assim sendo, consideramos que a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento deve ser lecionada por docentes de Geografia, uma vez que estes têm uma visão de charneira entre as Ciências Naturais e as Ciências Sociais e por se encontrarem preparados para trabalhar as temáticas relacionadas com o futuro do nosso planeta, em termos sociais e ambientais, procurando soluções que contribuam para um desenvolvimento sustentável, inclusivo e para uma cidadania ativa, tal como se encontra previsto na Estratégia Nacional para a Educação da Cidadania e Desenvolvimento.

  1. A gestão do currículo, a planificação e a prática letiva da disciplina de História e Geografia de Portugal (HGP), do 2.º ciclo do ensino básico, deve ser concretizada de forma conjunta, com professores das duas áreas do saber (Geografia e História), minimizando desta forma situações de formação deficitária do conhecimento geográfico de Portugal, do seu território, dos seus recursos naturais e humanos e suas inter-relações; assegurando a importância da matriz territorial como componente fundamental do currículo nacional do 2.º ciclo.

A identidade e a cultura alicerçam-se na diversidade da matriz territorial, quer esta seja natural, social, económica ou tecnológica. Um povo que não conheça e não estime o seu território, que é parte integrante da sua cultura e vida quotidiana, terá grande dificuldade em entender a importância da sua gestão planeada e ordenada e de nele intervir de forma cidadã.

 

A Educação Geográfica deve ser uma componente fundamental do currículo nacional. A Geografia é a ciência e a disciplina que se distingue e caracteriza pelo pensamento espacial, que pode ser definido como o conjunto de competências que compreende o conhecimento dos conceitos relacionados com o território, a utilização de ferramentas de representação dos fenómenos geográficos e o conjunto de processos explicativos das suas interações, numa visão multiescalar, alicerçada em destrezas de investigação e de resolução de problemas.

Num espaço geográfico que cada vez mais se contrai, em que fenómenos ambientais, populacionais, sociais, culturais, entre outros, têm causas e consequências multifacetadas que ultrapassam as fronteiras, é fundamental desenvolver uma educação geográfica que problematiza, questiona e procura equacionar cenários e inventariar soluções para as complexas situações que ocorrem no Mundo, desde as catástrofes naturais aos contrastes no desenvolvimento, passando pelas alterações climáticas, as migrações, o envelhecimento demográfico, a composição multipolar do sistema-Mundo, só para citar alguns dos temas constantes dos programas da disciplina de Geografia.

O ritmo de desenvolvimento das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) aplicadas ao território tem contribuído para transformar o acesso à informação geográfica e divulgar os procedimentos do pensamento espacial. A utilização das ferramentas Tecnologias de Informação Geográfica (TIG) é fundamental para a aprendizagem dos padrões de distribuição de diferentes fenómenos naturais e humanos. A disciplina de Geografia tem sido responsável pela introdução destes procedimentos no ensino, que são cada vez mais imprescindíveis ao cidadão comum, pelo que o estudo da Terra e das suas formas de representação abrem horizontes para as inovações acima referidas.

Temáticas das Aprendizagem Essenciais de Geografia como, Globalização, alterações climáticas, sismos, inundações e tempestades, migrações, disparidades e conflitos sobre os recursos, entre outros, moldam muito dos aspetos das nossas vidas e das sociedades no planeta Terra. Lidar com estes temas complexos, exige um saber científico ancorado em competências-chave, tais como a capacidade de delinear estratégias de as aplicar e de as avaliar, a resiliência face às dificuldades de resolução de problemas no imediato, tendo sempre presentes valores humanistas de compreensão de si e dos outros e da importância de uma postura de cidadania ativa, que se vão alicerçando, numa aprendizagem quotidiana e ao longo da nossa vida, através de ações tão simples, como, por exemplo, sensibilizar a comunidade educativa para a necessidade de cuidarmos corretamente do nosso território.

 

18 de julho de 2018

A Direção da APG

 

Parecer sobre a Prova de Exame Nacional da disciplina de Geografia A – 1ª Fase

A prova de Geografia A realizada no passado dia 21 de julho de 2018, tem conteúdos relacionados com o estudo de Geografia de Portugal, conforme programa homologado pelo Ministério da Educação, pelo que merecem a nossa apreciação positiva.

Para a elaboração deste documento contámos com a colaboração e olhar atento dos professores de Geografia, classificadores e associados que nos fazem chegar as respetivas apreciações.

A prova, embora globalmente acessível, apresenta alguns itens de seleção (escolha múltipla) e construção (resposta aberta), que exigem elevada concentração na interpretação do enunciado e das respetivas opções de resposta, no caso particular dos itens da primeira tipologia, e de um uso proficiente da língua portuguesa (o que merece a nossa concordância). Considera-se, ainda, que a prova não coloca problemas de correção científica, é representativa dos conteúdos constantes dos documentos orientadores da disciplina. Por sua vez,  os critérios de classificação colocam alguns problemas  de interpretação aos professores classificadores, como mais adiante se especificará.

Informação prova

O documento  Informação prova divulgado era vago e omisso nalguns aspetos inerentes à Caracterização da Prova – observa-se, a este prepósito, a ausência de uma referência em relação à estrutura da prova, à inclusão de novas tipologias de itens e à cotação (pontos) respetiva a atribuir. Com efeito, considera-se que esta deveria ter alertados os intervenientes para eventuais alterações face às edições anteriores e/ou que tivesse havido divulgação de uma segunda Informação prova alertando, para as mudanças registadas em relação à estrutura, à tipologia e ao valor dos itens (quer de seleção quer de construção).

O facto de ser um exame Nacional, não pode e não deve inibir a tutela de enunciar as alterações formais nas provas. Os exames devem ser inéditos na formulação de itens de exploração dos conteúdos programáticos, mas não no que diz respeito à estrutura de distribuição dos itens e ao peso (cotação) associado a cada tipologia.

Itens

A redação dos itens da prova apresenta um grau de dificuldade mais acessível do que nas provas do ano letivo anterior, pela linguagem técnica/vocabulário adequada e de fácil entendimento para a generalidade dos alunos.

A seleção dos temas é equilibrada entre o 10º e 11º anos, integra uma amostra significativa do Programa, pois quer a escolha de alguns dos conteúdos específicos a testar quer a formulação de vários itens, constituem uma amostra significativa de objetivos e temas do mesmo, abrangendo não só Portugal continental como também Regiões Autónomas. Considera-se assim que os conteúdos abordados, revestidos de atualidade e pertinência e que carecem de reflexão pela sociedade em geral (incêndios florestais, gentrificação, plataformas digitais, entre outros), foram repartidos de forma similar entre os dois anos de escolaridade.

Congratula-se a existência de itens que implicam a mobilização de competências nas áreas do raciocínio e do pensamento crítico, em detrimento de itens que sobrevalorizem a memorização, a par da articulação efetuada entre conteúdos dos diferentes temas dentro dos grupos de itens, pois a Geografia é uma ciência de interrelação, multiescalar e não focada em conteúdos estanques e, ainda, o estímulo a práticas pedagógicas centradas na resolução de problemas.

Saúda-se a inclusão, através de exemplos, do estudo de caso, que faz parte do Programa de Geografia A. Contudo, é de registar que os dois itens que implicavam uma resposta relativamente extensa (7. e 14.) encontram-se centrados na perspetiva da figura do autarca. Considera-se uma redundância a insistência nessa perspetiva, quando haveria outras possíveis, como por exemplo, a  de um técnico de planeamento, de um geógrafo, entre outros.

Peças gráficas e cartográficas

As peças gráficas e cartográficas introdutórias são, na generalidade, diversificadas e de boa qualidade gráfica, assentam em fontes documentais credíveis propiciando a aplicação das destrezas gráficas e cartográficas exigíveis a alunos de Geografia do 11º ano de escolaridade.

Tempo disponível para a realização da prova

O tempo disponível para a sua resolução é suficiente, pese embora uma divulgação prévia da alteração de estrutura da prova pudesse, eventualmente, ser favorável a alunos que apresentam dificuldades em termos de gestão de tempo.

 

Critérios de Classificação (CC)

O documento Critérios de Classificação  carece de mais cuidado em futuras edições desta prova e merecem o nosso desacordo em alguns aspetos:

Cotação/Valoração

  1. Na página 2 pode ler-se “Nos itens de resposta curta,  são atribuídas pontuações às respostas total ou parcialmente corretas, de acordo com os critérios específicos.” (1ª Fase). Considera-se que a redação desta orientação gerou a expetativa nos professores classificadores e examinados de que nos itens de resposta curta também havia níveis de desempenho e, consequentemente, respetiva valoração de respostas parcialmente corretas e/ou incompletas, quando, segundo os CC, apenas foi atribuída a cotação de 6 pontos e não estão contemplados os parcialmente corretos.
  2. Em futuras edições desta prova de exame, recomenda-se que seja clarificado à priori o que se entende por resposta curta e restrita bem como a cotação a atribuir em função do tipo de resposta que é suposto o aluno produzir. Em alternativa, pode ser registado,  por exemplo, quando nos itens de resposta curta e restrita são exigidos dois ou mais elementos/aspetos, estejam contemplados níveis desempenho e atribuída valoração respetiva.

Estas sugestões teriam evitado todo o ruído que ocorreu em torno da sugestão de atribuição de uma classificação intermédia, na correção dos itens 6., 8.1 e 15.1.

Critérios específicos de e correção

Em relação aos critérios específicos de correção apresentados, reforça-se que os dois itens de resposta extensa (7. e 14.) estão centradas na perspetiva de um indivíduo/entidade em particular, sendo questionável a obrigação do aluno saber as competências/atribuições do autarca. De igual modo, alguns dos tópicos de resposta contemplados são de grau de abrangência e/ou de ambiguidade muito diversa ou, inclusivamente, não integram competência das autarquias, como, por exemplo, no item 7. a “exploração de rochas ornamentais” e a “criação de serviços de carsharing”  opções estas resultantes  de iniciativas privadas e individuais e não das autarquias.

 

O processo de supervisão

De acordo com as informações e contributos que nos foram encaminhados o atual processo de supervisão, correção e classificação das provas de exame, carece de alguma reflexão, pelo facto de:

–          Todos os professores corretores/classificadores poderem opinar sobre as dúvidas dos seus pares, o que introduz imenso ruído e constitui perda de tempo;

–          O acesso e a visualização de dúvidas que outros corretores já colocaram é ineficiente e morosa, o que contribuirá para que alguns corretores/classificadores coloquem dúvidas que já foram apresentadas por outros;

–          Os esclarecimentos do IAVE não terem coberto todas as dúvidas levantadas e os supervisores, ficando, portanto, os corretores/classificadores sem saber se essa opinião tem ou não carácter vinculativo.

 

A disciplina de Geografia A é a quinta no ranking de número de alunos (23474) que  efetuaram a prova de exame nacional, a seguir ao Português, a Matemática A, a Física e Química A e a Biologia e Geologia. Congratula-se todos os intervenientes pelos resultados obtidos, com uma média de 11,6 valores e moda de 11 valores e, ainda, pela diminuição da taxa de reprovação para os alunos internos.

A prova correspondeu assim, em nosso entender, às expectativas da maioria dos alunos -e dos respetivos professores- que se envolveram, ao longo do ano letivo, nas situações de ensino e de aprendizagem da Geografia proporcionadas pelo programa.

 

É de salientar, ainda, que se torna fundamental rever a listagem de noções básicas/conceitos existente no programa de Geografia A, que, em nosso entender, além de excessiva, está desatualizada, no que se refere às políticas europeias, nomeadamente as medidas relativas aos diferentes programas operacionais que se foram sucedendo desde que programa de Geografia A foi homologado.

Lisboa, 18 de julho de 2018

A Presidente da Direção

(Emília Sande Lemos)