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Educação geográfica e ordenamento do território

Carta conjunta I Associação Professores de Geografia I Associação Portuguesa de Geógrafos

O que é que têm em comum os incêndios florestais, na região Centro, o troço de estrada que abateu em Vila Viçosa, a tempestade Leslie, a gentrificação turística, em Lisboa, ou o Brexit? Geografia é a resposta.
O território português tem sido alvo de situações-limite, prejudiciais ao bem-estar e à qualidade de vida da população, que têm também causado sérios danos às populações e às diversas atividades económicas, agravados pelos desequilíbrios estruturais que o configuram.
Na correção dos desequilíbrios de um espaço multiescalar, o planeamento e o ordenamento do território assumem particular importância, constituindo uma das principais áreas do conhecimento geográfico e, portanto, de intervenção da Geografia.
Considerando que a perceção do território sobre o qual incidem as ações de planeamento e ordenamento é um processo profundamente geográfico, a Geografia, para além de outras disciplinas, tem um papel fundamental na forma como os alunos veem, percecionam, conhecem e se apropriam do local, da região, do país, da Europa e do mundo.
A Geografia é, na sua essência, a disciplina que nas suas dimensões conceptual e instrumental, é capaz de aliar a delimitação dos fenómenos geográficos através da sua representação cartográfica à compreensão do espaço vivido, independentemente da escala de análise – não de uma forma fragmentada e atomizada, mas estudando as suas multifuncionalidades, as interações e as conetividades no espaço e no tempo – para que os jovens possam agir de uma forma ativa, crítica e participativa, alicerçada numa cultura de território.
Um povo que não conhece o seu território nunca o irá estimar e jamais irá compreender a importância da sua gestão e ordenamento. Como tal, é necessário (re)valorizar as interações que cada indivíduo estabelece diariamente com o território: o que os alunos conhecem (sobre o território e as suas ferramentas de representação) e o que podem fazer a partir da mobilização das competências geográficas que possuem. Com efeito, a Geografia promove a perceção e a conceção do território, a par de uma análise prospetiva.
A Geografia nem sempre é valorizada no currículo nacional dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico, embora a sua missão seja fundamental na formação de cidadãos ativos e com sentido crítico, bem como no reconhecimento da importância do planeamento e do ordenamento do território.
A organização do funcionamento das disciplinas, numa lógica trimestral ou semestral, ou outra organização dos currículos, conforme preconizado no Decreto-Lei n.º 55/2018 (artigo 19º), deve ser alvo de reflexão. Deve haver abertura a novas formas de integração e articulação curricular, por forma a assegurar a qualidade do ensino nas escolas, das aprendizagens dos alunos e reduzir os níveis de ansiedade e de depressão e a síndrome de burnout na classe docente.
É necessário que no horário de cada professor esteja contemplado o tempo destinado à implementação e concretização dos princípios orientadores do artigo 4.º do Decreto-Lei n.º 55/2018, ou seja:
I. as horas em que leciona a sua disciplina isoladamente e as horas em flexibilização curricular, através de projeto interdisciplinar, devendo selecionar as competências mais adequadas ao trabalho disciplinar e as que se podem desenvolver melhor em contexto de projeto;
II. as horas para a discussão, reflexão e conceção dos projetos interdisciplinares.
Existindo, atualmente, alunos com cargas letivas muito diferentes são alvo dos mesmos instrumentos de avaliação externa (exames e provas de aferição), contradizendo o que vem estipulado na Constituição da República Portuguesa quanto à equidade de todos os jovens face à Educação – na forma como os alunos aprendem, nos conhecimentos que adquirem e nas competências que desenvolvem. Há escolas onde os alunos estão com o professor de Geografia uns escassos e claramente insuficientes 45 minutos por semana. A matriz curricular presente no Decreto-Lei n.º 55/2018 deve, no nosso entender, ser regulamentada no sentido de exigir, a todas as escolas do país, tempos mínimos para cada área do saber, que sejam condignos com as Aprendizagens Essenciais homologadas pelo Ministério da Educação.
Assim, pugna-se para que os alunos do 3.º ciclo de escolaridade, possam ser acompanhados por um professor com formação específica em Geografia, por três tempos letivos/semanais, seja em par pedagógico na concretização de um Domínio de Autonomia Curricular (DAC) ou em outros projetos de carácter inter ou multidisciplinar, devendo estes estarem registados nas componentes letivas dos alunos e dos professores.
Nas últimas décadas, um terceiro pilar tem emergido entre os deveres da ciência: o de responsabilização social para a promoção de desenvolvimento e bem-estar. É um olhar sobre o conhecimento como algo mais do que aquilo que se acrescenta (por investigação) e se transmite (por ensino), interpelando-nos para enfrentar desafios contemporâneos com expressão diferente a escalas diversas e especificidades de cada contexto.
Afinal, como conseguimos nós demonstrar que o desenvolvimento de base territorial é o mais promissor para a promoção da riqueza, da inclusão social e do bem-estar, em várias escalas e prolongamentos no tempo? Como o fazemos hoje e como o poderemos fazer melhor no futuro?
Estas são as perguntas. Relativamente às respostas, recorda-se que, em áreas de baixa densidade populacional ou em espaços metropolitanos, as políticas e as ações são diferentes – cada vez mais diferentes -, o que é prova suficiente que a Geografia importa. Importa também – muito – quando se pensa no modo mais adequado de encontrar um futuro melhor para os que vivem ou irão viver num bairro degradado, junto a uma via com trânsito intenso; em áreas turísticas e propensas a cheias, em espaços ambientalmente protegidos de montanha ou numa planície quase despovoada.
O desenvolvimento de “competências mais complexas” nos alunos não é possível sem a adequada participação da Geografia, que, por definição, se constitui, já em si, como um saber interdisciplinar, na fronteira da compreensão das inter-relações existentes entre Território-Natureza-Sociedade. A Geografia, ciência de valor universal e intemporal, na formação das gerações do futuro, é insubstituível na promoção da cidadania territorial para a intervenção, em particular na transformação dos territórios a diferentes escalas.
Por isso, reafirmamos: sim, a Geografia importa. Muito.

Os presidentes da Direção
Ana Cristina Câmara
Associação de Professores de Geografia
José Rio Fernandes
Associação Portuguesa de Geógrafos

PETIÇÃO PÚBLICA – POR UMA VALORIZAÇÃO DA GEOGRAFIA NA EDUCAÇÃO PARA O ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO NOS ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO

A Geografia nem sempre é valorizada no currículo nacional dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico, embora a sua missão seja fundamental na formação de cidadãos ativos e com sentido crítico, bem como no reconhecimento da importância do planeamento e ordenamento do território.

Existem, atualmente, situações de grande desigualdade na forma como os alunos aprendem, nos conhecimentos que adquirem e nas competências que desenvolvem, pois embora tenham cargas letivas diferentes, são alvo dos mesmos instrumentos de avaliação externa (exames e provas de aferição), contradizendo o que vem estipulado na constituição Portuguesa quanto à equidade de todos os jovens face à educação. Há escolas onde os alunos estão com o professor de Geografia escassos e claramente insuficientes 45 minutos por semana. A matriz curricular presente no decreto-lei 55/2018 deve, no nosso entender, ser regulamentada no sentido de exigir, a todas as escolas do país, tempos mínimos para cada área do saber, que sejam condignos com as Aprendizagens Essenciais homologadas pelo Ministério da Educação.

Acresce que, na larga maioria das escolas portuguesas, os alunos não têm Geografia de Portugal, na disciplina de História e Geografia de Portugal ao longo 2º ciclo, com professores com formação específica em Geografia, nem tão pouco a pratica letiva é planificada por professores das duas áreas científicas. A visão de conjunto do território nacional é retomada na disciplina Geografia A, mas como opção em dois cursos do ensino secundário, o que se revela manifestamente insuficiente para uma cultura de território alicerçada no conhecimento e em práticas de cidadania para o preservar.

Assim, conscientes da necessidade da valorização da Geografia na educação para o planeamento e ordenamento do território, a Direção da Associação de Professores de Geografia decidiu elaborar uma petição nacional, que segue em anexo, dirigida à Assembleia da República e ao Ministro da Educação, alertando para a importância da disciplina no currículo.

POR UMA VALORIZAÇÃO DA GEOGRAFIA NA EDUCAÇÃO PARA O ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO NOS ENSINOS BÁSICO E SECUNDÁRIO.

Este convite foi endereçado, ainda, a todas as unidades orgânicas, com responsabilidade na formação de geógrafos e no ensino da Geografia.

 

 

 

 

 

IX Seminário Nacional de Professores de Geografia. Sertã, novembro de 2018 – Linha de Apoio à Valorização Turística do Interior

O Seminário contou com mais de 120 pessoas, entre participantes, convidados e membros da comunidade educativa  local e, para mais de 90% dos colegas, a satisfação foi avaliada em 5 (numa escala de 1 a 5).

O Turismo de Portugal apoiou o Seminário ao abrigo do Programa de Apoio a Congressos e Eventos nos concelhos afetados pelos incêndios.

 

 

 

 

PROVA DE AFERIÇÃO DE GEOGRAFIA – 8º ANO

Informação-Prova Aferição 8.º ano de escolaridade (87)

A Associação de Professores de Geografia saúda a divulgação da Informação-Prova, em particular relativa à prova de aferição de História e Geografia – 8.º ano de escolaridade (87), bem como a intenção de estar presente a visão integradora dos diferentes domínios/temas, de modo a privilegiar uma perspetiva articulada dos saberes disciplinares.

No entanto, lamentamos que a Informação-Prova de Aferição de História e Geografia do 8.º ano não seja totalmente clara quanto aos conceitos que vão ser objeto de avaliação, pois não explicita as Aprendizagens Essenciais enquanto denominador curricular comum, tal como é enunciado na Informação-Prova Geral (2018/2019).

Com efeito, a Associação de Professores de Geografia considera que este documento deveria integrar os conceitos presentes nas Aprendizagens Essenciais, enquanto denominador curricular comum, entre os vários documentos curriculares em vigor (Aprendizagens Essenciais, Metas Curriculares e Orientações Curriculares). Reforça-se que este propósito sempre foi defendido publicamente por:

– existirem alunos no 8.° ano de escolaridade que estiveram envolvidos no Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular (PAFC) e que no 7.° ano trabalharam apenas as Aprendizagens Essenciais em articulação com o Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória (indo ao encontro do que é pedido na Carta de Solicitação n.º 1/2018);

– se tratar de um documento curricular atualizado e aceite consensualmente pelos professores de Geografia.

Na Informação-Prova das Provas de Aferição 2018 existe uma hiperligação, para a página da DGE onde, no caso da disciplina de Geografia, constam três documentos curriculares, com paradigmas de ensino antagónicas e que exigem métodos de ensino e aprendizagem, em contexto de sala de aula, muito diferentes – situação que gera confusão nos professores, alunos e encarregados de educação, face aos conceitos a avaliar.

Neste sentido, era importante que o IAVE, I.P. esclarecesse de forma clara e explícita a comunidade educativa que, apesar de a maioria das escolas terem produzido planificações com base nas Metas Curriculares enquanto documento de referência, nestas provas de aferição, os conceitos das Aprendizagens Essenciais constituirão o denominador comum entre os vários documentos de referência em vigor.

Considera-se, ainda, que atendendo à especificidade da disciplina, a régua deve integrar o material a ser requerido ao aluno.

Por último, acreditamos que o IAVE, I.P. e as suas equipas terão em consideração que, face à data em que irá ser realizada a prova, os conceitos relativos ao tema das Atividades Económicas estejam de acordo com o trabalho nas escolas e sua respetiva planificação. Neste sentido, recomendamos que os conceitos a ser objeto de avaliação não vão para além da exploração do sector primário do tema relativo às Atividades Económicas.
A Direção

 

OLIMPÍADAS DA GEOGRAFIA

As Olimpíadas da Geografia são uma iniciativa da Associação Portuguesa de Geógrafos (APG) e da Associação Portuguesa de Professores de Geografia (APROFGEO) com o patrocínio do Ministério da Educação.
Pretendem contribui para o reconhecimento social da Geografia e promover o seu estudo.
Esta iniciativa visa distinguir os melhores alunos de Geografia no ensino secundário e servirá também para apurar os três representantes nacionais nas Olimpíadas Ibéricas de Geografia.
O encontro tem por objetivos Objetivos:
1) Aumentar o interesse dos alunos portugueses pelo estudo e pesquisa em Geografia;
2) Promover o reconhecimento social da Geografia em Portugal;
3) Promover o “trabalho de campo” no ensino da Geografia;
4) Desenvolver o espírito de rigor e excelência nos alunos;
5) Encontrar os representantes portugueses para a Olimpíada Internacional de Geografia.
A inscrição é realizada até ao dia 30 de novembro de 2018.


Consulte o regulamento e inscreva os seus alunos em https://apgolimpiadas.wixsite.com/geografia/apresentacao

Caro(a) Professor(a) de Geografia

A Associação de Professores de Geografia faz votos de um bom ano letivo e congratula todos os esforços em prole da disciplina de Geografia e, em particular, do ensino da Geografia dentro e fora da sala de aula.

Eis alguns materiais essenciais para o ensino da nossa disciplina


 

Não deixe de consultar o moodle da APROFGEO, nomeadamente, na categoria de Material Didático. http://www.cfpor.pt/moodle30/course/index.php?categoryid=2

Para os não sócios e só até final de Setembro (depois ficará disponível só para sócios) também pode encontrar material diverso sobre as Apredizagens Essenciais http://www.cfpor.pt/moodle30/course/index.php?categoryid=5