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Publicação do decreto-lei n.º 55/2018 _ posição da Associação de Professores de Geografia

Cara(o) Colega,

Após a publicação do decreto-lei n.º 55/2018, de 6 de junho, reafirmamos a nossa objeção, tal como já fizemos no ano anterior, a que a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento possa ser lecionada por outros docentes fora do Departamento de Ciências Sociais e Humanas contrariando a matriz definida pelo próprio Ministério da Educação para o 3º ciclo (Anexo III do referido decreto).

Considerando que algumas escolas, se encontram neste momento em fase de reflexão e organização do próximo ano letivo, destacam-se algumas orientações:

I- As Aprendizagens Essenciais (AE) constituem orientação curricular de base, para efeitos de planificação, realização e avaliação do ensino e da aprendizagem, em cada ano de escolaridade (artigo 17.º). No que à avaliação interna diz respeito, é de reforçar que os princípios orientadores da avaliação das aprendizagens concretizadas pelos alunos do ensino básico, encontram-se definidos no despacho normativo n.º 1-F/2016, de 5 de abril. Com efeito, sensibiliza-se para que os critérios de avaliação, assente em perfis de aprendizagem, sejam produzidos à luz das AE.

II- A Geografia, disciplina de charneira entre as Ciências Naturais e as Ciências sociais, presta-se à interdisciplinaridade. Com efeito, é de incentivar e promover o trabalho colaborativo dos professores de Geografia em equipas multidisciplinares, em Geografia, em Cidadania e Desenvolvimento, nos Domínios de Autonomia Curricular (DAC), entre outros.

III- A distribuição da carga horária semanal deve ser dividida de forma equitativa entre a História e a Geografia, no 3º ciclo do ensino básico, conforme parecer conjunto da Associação de Professores de Geografia e da Associação de Professores de História, de  de junho de 2017 (disponível em APG  http://www.aprofgeo.pt/ e em APH http://www.aph.pt/arquivo_destaque.php). Em termos práticos propõe-se: 6 tempos letivos para o 7.º ano, a dividir equitativamente pela História e pela Geografia; 5 tempos letivos para o 8.º ano e 5 tempos letivos para o 9.º ano, a distribuir equitativamente pelas duas disciplinas (2 para a História+3 para a Geografia ou 3 para a História+2 para a Geografia, respetivamente).

Tal como enunciado no artigo 38.º, o presente decreto-lei produz efeitos a partir do ano letivo de:

– 2018/2019, no que respeita aos 1.º, 5.º, 7.º e 10.º anos de escolaridade;

– 2019/2020, no que respeita aos 2.º, 6.º, 8.º e 11.º anos de escolaridade;

– 2020/2021, no que respeita aos 3.º, 9.º e 12.º anos de escolaridade;

– 2021/2022, no que respeita ao 4.º ano de escolaridade.

As turmas das escolas que já se encontram no Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular (PAFC) dão continuidade para o ano de escolaridade seguinte.

IV – A organização do funcionamento das disciplinas, numa lógica trimestral ou semestral, ou outra organização dos currículos (artigo 19º), deve ser alvo de reflexão. Deve haver abertura a novas formas de integração e articulação curricular, por forma a assegurar a qualidade do ensino nas escolas, das aprendizagens dos alunos e reduzir os níveis de ansiedade e de depressão e a síndrome de Burnout na classe docente.

V- A gestão do currículo e a planificação da prática letiva de História e Geografia de Portugal (HGP), do 2º ciclo do ensino básico, deve ser concretizada de forma conjunta, com professores das duas áreas do saber (Geografia e História), numa abordagem transdisciplinar vertical e horizontal das competências, no 2.º ciclo do ensino básico, tão importantes para o conhecimento do território nacional. Pretende-se favorecer uma gestão do currículo numa lógica de sequencialidade, atendendo à existência dos agrupamentos e minimizar situações de formação deficitária ao nível do conhecimento geográfico do território nacional.

É de congratular a promoção da autonomia necessária e extensível a todas as escolas, para que estas possam vir a enquadrar as aprendizagens a contextos específicos e às necessidades dos alunos, numa perspetiva inter e transdisciplinar, e de forma a dotar os jovens de um conjunto de competências que lhes permitam dar resposta aos novos desafios da sociedade globalizada.

Congratula-se, ainda, a necessidade de mudança de paradigma, conforme se encontra explanada no decreto-lei. No entanto, para que esta se possa efetivar, o professor deve ter no seu horário, quer as horas em que leciona a sua disciplina isoladamente quer em flexibilização curricular, através de projeto, com outras disciplinas, devendo selecionar as competências mais adequadas ao trabalho disciplinar e as que se podem desenvolver melhor em contexto de projeto. É necessário que no horário de cada professor esteja contemplado o tempo destinado à implementação e concretização dos princípios orientadores (artigo 4.º). A concretização de estratégias e de experiências educativas que potenciem as aprendizagens significativas requerem tempo de discussão, reflexão e conceção. Este tempo não deve constituir um “peso” no horário do professor, sob risco de comprometer a inspiração e criatividade enquanto pilares do trabalho de projeto.

9 de Julho de 2018

A Direção da APG

Caro(a) Sócio(a)

A Associação de Professores de Geografia agradece a todos os sócios os votos de confiança na reeleição desta direção e congratula todos os vossos esforços em prole da disciplina de Geografia e, em particular, do ensino da Geografia dentro e fora da sala de aula.

 Deixamos aqui alguns documentos de atualização científica e estatística com excelentes recursos gráficos e cartográficos para as aulas de Geografia:

 

Não deixe de consultar o moodle da APROFGEO, nomeadamente, na categoria de Material Didático http://www.cfpor.pt/moodle30/course/index.php?categoryid=2

Geografia A – Exame Nacional 2018

À semelhança dos anos letivos anteriores, a Associação de Professores de Geografia, irá redigir um parecer sobre as provas de exame final nacional do ensino secundário de Geografia A. Para tal, conta com a colaboração e olhar atento dos professores de Geografia e associados que nos fazem chegar as respetivas apreciações.

Não obstante, a prova realizada, no passado dia 21 de junho de 2018, merece-nos desde já a seguinte apreciação:

  1. Embora globalmente acessível, alguns itens de seleção (resposta múltipla) e construção (resposta aberta), exigem elevada concentração na interpretação do tronco e das respetivas opções de resposta, no caso particular dos itens da primeira tipologia, e de um uso proficiente da língua portuguesa (o que merece a nossa concordância).
  2. Os documentos introdutórios assentam em fontes documentais credíveis e são, na generalidade, diversificados e de boa qualidade gráfica, propiciando a aplicação das destrezas gráficas e cartográficas exigíveis a alunos de Geografia.
  3. O tempo disponível para a sua resolução é suficiente, , pese embora uma divulgação prévia da alteração de estrutura da prova pudesse, eventualmente, ser favorável a alunos que apresentam dificuldades em termos de gestão de tempo.
  4. Os itens em avaliação constituem uma amostra significativa de objetivos e temas do Programa. Considera-se que os conteúdos abordados, revestidos de atualidade e pertinência e que carecem de reflexão pela sociedade em geral (incêndios florestais, gentrificação, plataformas digitais, ...), foram repartidos de forma similar entre os dois anos de escolaridade.

Congratula-se a existência de itens que implicam a mobilização de competências nas áreas do raciocínio e do pensamento crítico, em detrimento de itens que sobrevalorizem a memorização, e o estímulo a práticas pedagógicas centradas na resolução de problemas.

Contudo, já fizemos seguir para o IAVE a nossa preocupação em relação a dois aspetos na redação dos Critérios de Classificação (CC) que merecem, desde já, uma atenção especial face ao trabalho dos professores classificadores, nomeadamente:

a) Página 2 - "Nos itens de resposta curta,  são atribuídas pontuações às respostas total ou parcialmente corretas, de acordo com os critérios específicos." Considera-se que a redação desta orientação irá gerar a expetativa nos professores classificadores de que nos itens de resposta curta (6., 8.1 e 15.1) também há níveis de desempenho e, consequentemente, respetiva valoração de respostas parcialmente corretas e/ou incompletas, quando, segundo os CC, apenas é atribuída a cotação de 6 pontos e não estão contemplados os parcialmente corretos.

b) Pagina 7 - "Tópicos de resposta: – Estratégia A – o desenvolvimento da fileira associada à extração dos minerais metálicos: aposta na indústria extrativa, associada aos recursos endógenos, para exportar matéria-prima, como o volfrâmio ou o cobre, e para aumentar o emprego na região;"

Como a região a ser considerada pelos alunos é o Alentejo, indicar o volfrâmio como primeiro exemplo não nos parece o mais correto, uma vez que não existem estudos que demonstrem a viabilidade económica da exploração deste mineral metálico.

Por fim, refira-se que o parecer final deverá contemplar a necessidade de na informação-prova ser divulgada uma eventual alteração em relação à estrutura, à tipologia e ao valor dos itens, bem como a necessidade de rever a listagem de noções básicas/conceitos existente no programa de Geografia A, que, em nosso entender, além de excessiva, está desatualizada.

A Direção

Relatório Prova de Aferição HGP – IAVE

HGP_RelatorioIAVE_PA_2016-2017

Após uma breve leitura dos resultados da prova de Aferição e de HGP existem dois aspetos ligados ao ensino-aprendizagem da Geografia que sobressaem e nos devem preocupar:

A. É fundamental distinguir localização e localizar. Em Geografia localização é um conceito  (que até pode ser memorizado, como é caso de Portugal no contexto da Europa se situar no extremo sudoeste) e localizar é procedimento metodológico (que implica saber determinar a posição relativa ou exata de um país ou outro elemento num determinado espaço, usando um sistema de coordenadas ou a rosa-dos-ventos). Acredito que a grande maioria dos alunos sabe onde está Portugal num mapa da Europa (talvez até desde o pré-escolar) mas tem dificuldade em localizar Portugal, num mapa, em relação a outro país pois nem sempre a mobilização deste procedimento metodológico (aplicado com outros contextos espaciais, mais próximos da realidade do aluno e adaptados à sua idade, como a posição dos alunos dentro de uma sala de aula ou os vários espaços da escola/casa), é treinado com os alunos antes do 7º ano de escolaridade.

B. É necessário um maior investimento nos conteúdos e metodologias relacionados com a lateralidade e a espacialidade (1º Ciclo);

C. É imprescindível desenvolver competências de interpretação de mapas com a distribuição de fenómenos geográficos (mas também históricos,…) (2º Ciclo).

Trabalhar com mapas é essencial. E atualmente é muito fácil disponibilizar mapas de localização. Bom seria também que em cada sala de aula estivesse um computador e um projector para que, a qualquer momento, e sempre que é preciso, localizar um acontecimento histórico ou um fenómeno geográfico o professor ilustrasse com o Google Earth ou o Open Street Map, por exemplo ….Também pedir aos alunos para pintar mapas é um excelente exercício…e trabalho colaborativo entre os professores de Geografia e os professores de História nesta disciplina de História e Geografia de Portugal.

A propósito da implementação do projeto da Flexibilização Curricular

Face a dúvidas que nos têm sido colocadas nas escolas que estão na Flexibilização Curricular sobre a carga horária da Geografia a Associação de Professores de Geografia esclarece a sua posição.

O professor de Geografia tem de ter no seu horário, quer as horas em que leciona a disciplina isoladamente quer em flexibilização, através de projeto, com outras disciplinas, devendo escolher as competências (conceitos e metodologias) mais adequadas ao trabalho disciplinar e as que se podem desenvolver melhor em contexto de projeto.

Parte dessas horas pode ser depois lecionada em projeto e em conjunto com outras disciplinas, no caso da flexibilização curricular.

A flexibilização curricular nunca deve implicar, em nosso entender, flexibilização do horário letivo do professor mas sim flexibilização na forma como as competências enunciadas nas aprendizagens essenciais são desenvolvidas. Implica também que o professor de Geografia esteja envolvido no(s) projetos que a escola decidiu que iriam preencher os 25% e que devem ser sempre multidisciplinares.

Mais uma vez reafirmamos:  A flexibilização curricular, em nosso entender, não é para tirar horas a umas disciplinas e dar a outras, ao arbítrio de cada escola.

A Direção

Posição conjunta relativa ao despacho 5908/2017, das Associações de Professores de Geografia e de História

Após a publicação do despacho nº 5908/2017, ambas as associações elaboraram uma carta conjunta dirigida ao Sr. Secretário de Estado da Educação João Miguel Marques da Costa, expondo algumas dúvidas e reflexões. Na sequência desta fomos recebidos pelo Sr. Secretário de Estado.

Nessa carta começávamos por saudar a promoção da autonomia necessária para que as escolas possam vir a enquadrar as aprendizagens numa perspetiva multidimensional, de forma a preparar os jovens para os desafios que se lhes colocam, tal como vem enunciado no Perfil do Aluno para o Século XXI.

Abraçámos este projeto visto termos considerado que o mesmo fazia todo o sentido numa escola que se pretende inclusiva, criativa e adaptada às novas realidades sociais, económicas e culturais. Colocámos todo o nosso empenho na elaboração das aprendizagens essenciais (AE), exortámos os nossos associados a participarem no processo, tendo tido em linha de conta as suas contribuições. Posteriormente, as AE foram sendo reelaboradas e revistas num processo interativo com a DGE. Concordámos, desde o início, com a sua elaboração, visto que considerávamos que os documentos curriculares existentes se encontravam ultrapassados e pouco adaptados à realidade escolar atual.  Assim, concordamos com o disposto no Artigo 2º, alínea c), onde as AE de cada área disciplinar e disciplina constituem as orientações curriculares de base na planificação, realização e avaliação do ensino e da aprendizagem.

Saudamos também o Artigo 5º, muito preciso relativamente à utilidade das matrizes anexas ao despacho. Nessas matrizes pode-se ler claramente que, no 3º ciclo, a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento pertence à área das Ciências Sociais e Humanas, sendo aquela, obrigatoriamente, coordenada/lecionada pelas disciplinas de História e de Geografia. Estas disciplinas são as que se encontram mais bem colocadas para estabelecerem pontes entre as aprendizagens de Cidadania e Desenvolvimento e todas as restantes disciplinas, abrindo-se assim espaço para, ao abrigo da flexibilização curricular, haver momentos em que estejam presentes professores coadjuvantes de outras áreas, privilegiando-se assim o trabalho de projeto na disciplina em causa.

Na reunião acima mencionada, o Sr. Secretário de Estado referiu que esta nova disciplina deveria, de facto, ser prioritariamente lecionada por professores de História ou Geografia. Afirmou ainda que esta disciplina teria, apenas, 25 minutos semanais de lecionação, não retirando assim qualquer tempo letivo à Geografia e à História, mantendo-se na realidade a mesma carga horária semanal disciplina de HGP.

Face ao exposto consideramos que não existe qualquer razão para a diminuição da carga horária semanal e consequentemente dos tempos letivos das disciplinas mencionadas anteriormente. Neste sentido recomendamos:

– 2º Ciclo – 3 tempos letivos cada, para o 5º e 6º Ano;

– 3º ciclo – 6 tempos letivos cada para o 7º Ano, a dividir equitativamente pela Geografia e pela História; 5 tempos letivos cada para o 8º e 5 tempos letivos cada para o 9º Ano, a distribuir também de forma equitativa, pelas duas disciplinas, nos dois anos (3+2 ou 2+3).

Reafirmamos o nosso pleno acordo relativamente às metodologias e possibilidades de desenvolvimento de trabalho interdisciplinar explanados no despacho. As duas associações que representam os professores de História e de Geografia encontram-se, no momento, a trabalhar na elaboração de propostas de projetos interdisciplinares, de acordo com o explanado no artigo 13º. Neste sentido juntamos três propostas de projetos interdisciplinares passiveis de ser aplicados ao longo de toda a escolaridade obrigatória.

Agradecemos a todas os colegas que se encontram em escolas com flexibilização curricular que nos façam chegar a planificação das AE quer ao nível da disciplina quer nos projetos de interdisciplinares.

Atenciosamente,

Os presidentes e vice-presidentes da APG e da APH,

Emília Sande Lemos

Miguel Monteiro de Barros

Ana Cristina Câmara

Marta Frade Torres

 

 

Nota: A APH e a APG pediram entretanto ao Sr. Secretário de Estado, João Miguel Marques da Costa, e na sequência da audiência que nos concedeu dia 17 de julho, onde nos foi confirmado que o tempo máximo semanal estipulado para a lecionação da nova disciplina de Cidadania e Desenvolvimento é de vinte e cinco minutos, que se proceda a uma retificação do despacho 5908/2017, colocando-se aí, de forma explícita, essa informação, de forma a não dar origem a interpretações menos corretas por parte das escolas, nomeadamente retirando tempos de lecionação à disciplina de HGP ou de História.

[1] A principal diferença que se verifica na matriz do Despacho n.º 5908/2017 é a transferência, para o 7º Ano, dos 250 minutos de lecionação anteriormente previstos para o 9º Ano.