{"id":1361,"date":"2019-04-18T16:16:46","date_gmt":"2019-04-18T15:16:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.aprofgeo.org\/wp\/?p=1361"},"modified":"2019-04-18T16:16:46","modified_gmt":"2019-04-18T15:16:46","slug":"educacao-geografica-e-ordenamento-do-territorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.aprofgeo.org\/wp\/?p=1361","title":{"rendered":"Educa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e ordenamento do territ\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<p>Carta conjunta I Associa\u00e7\u00e3o Professores de Geografia I Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Ge\u00f3grafos<\/p>\n<p>O que \u00e9 que t\u00eam em comum os inc\u00eandios florestais, na regi\u00e3o Centro, o tro\u00e7o de estrada que abateu em Vila Vi\u00e7osa, a tempestade Leslie, a gentrifica\u00e7\u00e3o tur\u00edstica, em Lisboa, ou o Brexit? Geografia \u00e9 a resposta.<br \/>\nO territ\u00f3rio portugu\u00eas tem sido alvo de situa\u00e7\u00f5es-limite, prejudiciais ao bem-estar e \u00e0 qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o, que t\u00eam tamb\u00e9m causado s\u00e9rios danos \u00e0s popula\u00e7\u00f5es e \u00e0s diversas atividades econ\u00f3micas, agravados pelos desequil\u00edbrios estruturais que o configuram.<br \/>\nNa corre\u00e7\u00e3o dos desequil\u00edbrios de um espa\u00e7o multiescalar, o planeamento e o ordenamento do territ\u00f3rio assumem particular import\u00e2ncia, constituindo uma das principais \u00e1reas do conhecimento geogr\u00e1fico e, portanto, de interven\u00e7\u00e3o da Geografia.<br \/>\nConsiderando que a perce\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio sobre o qual incidem as a\u00e7\u00f5es de planeamento e ordenamento \u00e9 um processo profundamente geogr\u00e1fico, a Geografia, para al\u00e9m de outras disciplinas, tem um papel fundamental na forma como os alunos veem, percecionam, conhecem e se apropriam do local, da regi\u00e3o, do pa\u00eds, da Europa e do mundo.<br \/>\nA Geografia \u00e9, na sua ess\u00eancia, a disciplina que nas suas dimens\u00f5es conceptual e instrumental, \u00e9 capaz de aliar a delimita\u00e7\u00e3o dos fen\u00f3menos geogr\u00e1ficos atrav\u00e9s da sua representa\u00e7\u00e3o cartogr\u00e1fica \u00e0 compreens\u00e3o do espa\u00e7o vivido, independentemente da escala de an\u00e1lise &#8211; n\u00e3o de uma forma fragmentada e atomizada, mas estudando as suas multifuncionalidades, as intera\u00e7\u00f5es e as conetividades no espa\u00e7o e no tempo &#8211; para que os jovens possam agir de uma forma ativa, cr\u00edtica e participativa, alicer\u00e7ada numa cultura de territ\u00f3rio.<br \/>\nUm povo que n\u00e3o conhece o seu territ\u00f3rio nunca o ir\u00e1 estimar e jamais ir\u00e1 compreender a import\u00e2ncia da sua gest\u00e3o e ordenamento. Como tal, \u00e9 necess\u00e1rio (re)valorizar as intera\u00e7\u00f5es que cada indiv\u00edduo estabelece diariamente com o territ\u00f3rio: o que os alunos conhecem (sobre o territ\u00f3rio e as suas ferramentas de representa\u00e7\u00e3o) e o que podem fazer a partir da mobiliza\u00e7\u00e3o das compet\u00eancias geogr\u00e1ficas que possuem. Com efeito, a Geografia promove a perce\u00e7\u00e3o e a conce\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, a par de uma an\u00e1lise prospetiva.<br \/>\nA Geografia nem sempre \u00e9 valorizada no curr\u00edculo nacional dos 2.\u00ba e 3.\u00ba ciclos do ensino b\u00e1sico, embora a sua miss\u00e3o seja fundamental na forma\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os ativos e com sentido cr\u00edtico, bem como no reconhecimento da import\u00e2ncia do planeamento e do ordenamento do territ\u00f3rio.<br \/>\nA organiza\u00e7\u00e3o do funcionamento das disciplinas, numa l\u00f3gica trimestral ou semestral, ou outra organiza\u00e7\u00e3o dos curr\u00edculos, conforme preconizado no Decreto-Lei n.\u00ba 55\/2018 (artigo 19\u00ba), deve ser alvo de reflex\u00e3o. Deve haver abertura a novas formas de integra\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o curricular, por forma a assegurar a qualidade do ensino nas escolas, das aprendizagens dos alunos e reduzir os n\u00edveis de ansiedade e de depress\u00e3o e a s\u00edndrome de burnout na classe docente.<br \/>\n\u00c9 necess\u00e1rio que no hor\u00e1rio de cada professor esteja contemplado o tempo destinado \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o e concretiza\u00e7\u00e3o dos princ\u00edpios orientadores do artigo 4.\u00ba do Decreto-Lei n.\u00ba 55\/2018, ou seja:<br \/>\nI. as horas em que leciona a sua disciplina isoladamente e as horas em flexibiliza\u00e7\u00e3o curricular, atrav\u00e9s de projeto interdisciplinar, devendo selecionar as compet\u00eancias mais adequadas ao trabalho disciplinar e as que se podem desenvolver melhor em contexto de projeto;<br \/>\nII. as horas para a discuss\u00e3o, reflex\u00e3o e conce\u00e7\u00e3o dos projetos interdisciplinares.<br \/>\nExistindo, atualmente, alunos com cargas letivas muito diferentes s\u00e3o alvo dos mesmos instrumentos de avalia\u00e7\u00e3o externa (exames e provas de aferi\u00e7\u00e3o), contradizendo o que vem estipulado na Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Portuguesa quanto \u00e0 equidade de todos os jovens face \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o &#8211; na forma como os alunos aprendem, nos conhecimentos que adquirem e nas compet\u00eancias que desenvolvem. H\u00e1 escolas onde os alunos est\u00e3o com o professor de Geografia uns escassos e claramente insuficientes 45 minutos por semana. A matriz curricular presente no Decreto-Lei n.\u00ba 55\/2018 deve, no nosso entender, ser regulamentada no sentido de exigir, a todas as escolas do pa\u00eds, tempos m\u00ednimos para cada \u00e1rea do saber, que sejam condignos com as Aprendizagens Essenciais homologadas pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAssim, pugna-se para que os alunos do 3.\u00ba ciclo de escolaridade, possam ser acompanhados por um professor com forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica em Geografia, por tr\u00eas tempos letivos\/semanais, seja em par pedag\u00f3gico na concretiza\u00e7\u00e3o de um Dom\u00ednio de Autonomia Curricular (DAC) ou em outros projetos de car\u00e1cter inter ou multidisciplinar, devendo estes estarem registados nas componentes letivas dos alunos e dos professores.<br \/>\nNas \u00faltimas d\u00e9cadas, um terceiro pilar tem emergido entre os deveres da ci\u00eancia: o de responsabiliza\u00e7\u00e3o social para a promo\u00e7\u00e3o de desenvolvimento e bem-estar. \u00c9 um olhar sobre o conhecimento como algo mais do que aquilo que se acrescenta (por investiga\u00e7\u00e3o) e se transmite (por ensino), interpelando-nos para enfrentar desafios contempor\u00e2neos com express\u00e3o diferente a escalas diversas e especificidades de cada contexto.<br \/>\nAfinal, como conseguimos n\u00f3s demonstrar que o desenvolvimento de base territorial \u00e9 o mais promissor para a promo\u00e7\u00e3o da riqueza, da inclus\u00e3o social e do bem-estar, em v\u00e1rias escalas e prolongamentos no tempo? Como o fazemos hoje e como o poderemos fazer melhor no futuro?<br \/>\nEstas s\u00e3o as perguntas. Relativamente \u00e0s respostas, recorda-se que, em \u00e1reas de baixa densidade populacional ou em espa\u00e7os metropolitanos, as pol\u00edticas e as a\u00e7\u00f5es s\u00e3o diferentes &#8211; cada vez mais diferentes -, o que \u00e9 prova suficiente que a Geografia importa. Importa tamb\u00e9m &#8211; muito &#8211; quando se pensa no modo mais adequado de encontrar um futuro melhor para os que vivem ou ir\u00e3o viver num bairro degradado, junto a uma via com tr\u00e2nsito intenso; em \u00e1reas tur\u00edsticas e propensas a cheias, em espa\u00e7os ambientalmente protegidos de montanha ou numa plan\u00edcie quase despovoada.<br \/>\nO desenvolvimento de \u201ccompet\u00eancias mais complexas\u201d nos alunos n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sem a adequada participa\u00e7\u00e3o da Geografia, que, por defini\u00e7\u00e3o, se constitui, j\u00e1 em si, como um saber interdisciplinar, na fronteira da compreens\u00e3o das inter-rela\u00e7\u00f5es existentes entre Territ\u00f3rio-Natureza-Sociedade. A Geografia, ci\u00eancia de valor universal e intemporal, na forma\u00e7\u00e3o das gera\u00e7\u00f5es do futuro, \u00e9 insubstitu\u00edvel na promo\u00e7\u00e3o da cidadania territorial para a interven\u00e7\u00e3o, em particular na transforma\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios a diferentes escalas.<br \/>\nPor isso, reafirmamos: sim, a Geografia importa. Muito.<\/p>\n<p>Os presidentes da Dire\u00e7\u00e3o<br \/>\nAna Cristina C\u00e2mara<br \/>\nAssocia\u00e7\u00e3o de Professores de Geografia<br \/>\nJos\u00e9 Rio Fernandes<br \/>\nAssocia\u00e7\u00e3o Portuguesa de Ge\u00f3grafos<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta conjunta I Associa\u00e7\u00e3o Professores de Geografia I Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Ge\u00f3grafos O que \u00e9 que t\u00eam em comum os inc\u00eandios florestais, na regi\u00e3o Centro, o tro\u00e7o de estrada que abateu em Vila Vi\u00e7osa, a tempestade Leslie, a gentrifica\u00e7\u00e3o tur\u00edstica, em Lisboa, ou o Brexit? 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