Geografia A – Exame Nacional 2018

À semelhança dos anos letivos anteriores, a Associação de Professores de Geografia, irá redigir um parecer sobre as provas de exame final nacional do ensino secundário de Geografia A. Para tal, conta com a colaboração e olhar atento dos professores de Geografia e associados que nos fazem chegar as respetivas apreciações.

Não obstante, a prova realizada, no passado dia 21 de junho de 2018, merece-nos desde já a seguinte apreciação:

  1. Embora globalmente acessível, alguns itens de seleção (resposta múltipla) e construção (resposta aberta), exigem elevada concentração na interpretação do tronco e das respetivas opções de resposta, no caso particular dos itens da primeira tipologia, e de um uso proficiente da língua portuguesa (o que merece a nossa concordância).
  2. Os documentos introdutórios assentam em fontes documentais credíveis e são, na generalidade, diversificados e de boa qualidade gráfica, propiciando a aplicação das destrezas gráficas e cartográficas exigíveis a alunos de Geografia.
  3. O tempo disponível para a sua resolução é suficiente, , pese embora uma divulgação prévia da alteração de estrutura da prova pudesse, eventualmente, ser favorável a alunos que apresentam dificuldades em termos de gestão de tempo.
  4. Os itens em avaliação constituem uma amostra significativa de objetivos e temas do Programa. Considera-se que os conteúdos abordados, revestidos de atualidade e pertinência e que carecem de reflexão pela sociedade em geral (incêndios florestais, gentrificação, plataformas digitais, ...), foram repartidos de forma similar entre os dois anos de escolaridade.

Congratula-se a existência de itens que implicam a mobilização de competências nas áreas do raciocínio e do pensamento crítico, em detrimento de itens que sobrevalorizem a memorização, e o estímulo a práticas pedagógicas centradas na resolução de problemas.

Contudo, já fizemos seguir para o IAVE a nossa preocupação em relação a dois aspetos na redação dos Critérios de Classificação (CC) que merecem, desde já, uma atenção especial face ao trabalho dos professores classificadores, nomeadamente:

a) Página 2 - "Nos itens de resposta curta,  são atribuídas pontuações às respostas total ou parcialmente corretas, de acordo com os critérios específicos." Considera-se que a redação desta orientação irá gerar a expetativa nos professores classificadores de que nos itens de resposta curta (6., 8.1 e 15.1) também há níveis de desempenho e, consequentemente, respetiva valoração de respostas parcialmente corretas e/ou incompletas, quando, segundo os CC, apenas é atribuída a cotação de 6 pontos e não estão contemplados os parcialmente corretos.

b) Pagina 7 - "Tópicos de resposta: – Estratégia A – o desenvolvimento da fileira associada à extração dos minerais metálicos: aposta na indústria extrativa, associada aos recursos endógenos, para exportar matéria-prima, como o volfrâmio ou o cobre, e para aumentar o emprego na região;"

Como a região a ser considerada pelos alunos é o Alentejo, indicar o volfrâmio como primeiro exemplo não nos parece o mais correto, uma vez que não existem estudos que demonstrem a viabilidade económica da exploração deste mineral metálico.

Por fim, refira-se que o parecer final deverá contemplar a necessidade de na informação-prova ser divulgada uma eventual alteração em relação à estrutura, à tipologia e ao valor dos itens, bem como a necessidade de rever a listagem de noções básicas/conceitos existente no programa de Geografia A, que, em nosso entender, além de excessiva, está desatualizada.

A Direção